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Falha de Comunicação

Colunistas
Escrito por Cléber Souza*    Sex, 20 de Maio de 2011 06:59

O ser humano se orgulha de ter um sistema de comunicação completo, tanto nos códigos como nos meios. As pessoas evoluíram a linguagem, mas ainda existem as falhas de comunicação. Coisas que queremos dizer, mas acabamos dizendo diferente do que pensamos. Coisas mal ouvidas ou mal interpretadas. Coisas que deveriam ser comunicadas previamente para evitar constrangimento, por exemplo.

Um erro de comunicação pode mudar uma vida. Lembro-me do dia em que minha mãe gritou: - Menino, estúdio... estúdio!

Então me tornei músico. Segui o conselho materno e estudei a arte de tocar instrumentos para poder expressar sentimento através de notas e ritmos. Que conselho melhor uma mãe poderia dar para um filho?

Mais tarde, minha mãe me esclareceu de que ela não tinha sido a maior incentivadora da minha jornada musical, ela me disse que na verdade tinha feito um apelo para eu levar a escola a sério: - Menino, o estudo... o estudo!

De fato uma escolha define uma vida. Se você não escutar as pessoas certas e a coisa certa, talvez faça o contrário do que deveria. Entendi errado, talvez por ela ter falado alto demais e a acústica da minha casa não ser apropriada para gritos, posto que a reverberação era imediata causando quase um eco metálico tilintando nos tímpanos. A maldição de não compreender pode nos vitimar durante toda a vida como se fosse mais uma das leis de Murphy.

O River Shopping, na cidade de Petrolina, está aí para provar que a maldição da "falha de comunicação" vai nos perseguir pra sempre. No dia 30 de abril desse ano, eu decidi ir ao shopping com meus amigos: um gerente de lojas, dois professores e três funcionários públicos, incluindo eu.

Mas a grande coincidência era que por capricho do destino todos os homens na mesa também eram músicos. Na Praça de Alimentação, enquanto comíamos e bebíamos, puxamos um violão fender 1995 e começamos a evocar grandes ícones: Cássia Eller, Elvis Presley...

Um segurança se aproximou e nos comunicou que era proibido tocar violão na Praça de Alimentação. Paramos de tocar imediatamente, mas pedimos que o segurança comprovasse a informação dada através de uma comunicação visual, posto que se trata da regra de um estabelecimento e deveria estar explícito através de placa ou cartaz. Ele nos avisou que não existia essa forma de comunicação disponível. Pedimos então que ele chamasse o gerente ou o chefe de segurança para ele nos explicar porque existia uma regra e ela não estava exposta para os consumidores.

Em três minutos, oito seguranças chegaram ao redor da nossa mesa e o chefe da segurança afirmou que foi avisado que nós solicitamos a presença da polícia para que parássemos de tocar.

Bem, minha mãe falou e eu não entendi, virei músico e fui tocar na Praça de Alimentação do River Shopping para levar uma bronca de um segurança que não entendeu quando pedimos a presença dos seus superiores e disse que mandamos chamar a polícia.

Foi constrangedor ter tantos seguranças ao nosso redor enquanto toda Praça de Alimentação olhava para nossa mesa. Uma total falta de bom senso desses profissionais contratados pelo Shopping. Se forem esses os protocolos de segurança, eu receio que em breve esse estabelecimento sofrerá alguns processos.

Enfim, até hoje eu não sei se foi por causa das tatuagens que eu e o gerente de lojas temos, ou se foi o fato de sermos músicos. A questão é que o segurança mentiu e nos causou constrangimento. Para mim apenas sobrou a moral da história: falha de comunicação pode causar vergonha num futuro próximo ou distante.

 

 

*Cléber Souza é graduando do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

 

Comentários  

 
-1 #1 amanda hillton 23-04-2013 23:19
eu e mais duas amigas formos proibidas de tocar violão em uma praça pública, o zelador da praça se incomodou com nossa presença e pediu para nós se retirar, eu perguntei o porque, ele simplesmente disse que não devia satisfação e que nós não podíamos tocar,eu novamente pedir uma documentação que afirmasse que não podia, ele afirmou que era o dono da praça e que ia chamar a policia.
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